Apesar dos momentos de confusão com os nomes (demorei quase 70 páginas para reconhecer quem é quem) o livro é muito bem escrito e o trabalho de tradução de Leonardo Alves é magistral. A confusão, por outro lado, vêm primordialmente do desconhecimento com a cultura dos nomes chineses, mas isto não configura um ponto negativo na minha opinião, já o considerável número de termos técnicos pode desorientar um pouco, apesar de não serem primordiais para a compreensão do enredo, a completa desconexão do leitor com a base destes estudos pode tornar a experiencia de leitura um pouco intricada.
Contudo, a história se contorna com tranquilidade conforme o narrador nos apresenta os núcleos narrativos, as intenções dos protagonistas e as funções da historia real da revolução cultural nos eventos do romance. A narrativa inteira ganha folego e força capítulo a capítulo, e apesar de não ser o final da história (O problema dos três corpos é o primeiro livro de uma trilogia) nos entrega uma história completa capaz de construir questionamentos numerosos acerca de como tratamos o universo e como achamos que seriamos tratados por ele caso um dia entremos em contato com outra civilização extraterrestre.
O romance é negativista em seu encerramento, ele questiona porque achamos que o outro (civilizações alienígenas) deve possuir uma conduta ética capaz de não querer dominar o nosso planeta de forma tirânica caso sejam mais evoluídos e possuam capacidade de chegar até a terra, deixa para o leitor o questionamento do motivo de sermos são inocentes frente ao desconhecido e tão ignorantes (conscientes) sobre nós mesmos.
O problema dos três corpos é um texto que no maior estilo dos clássicos de Arthur C. Clark questiona como seria nossa relação caso entrássemos em contato com uma civilização mais avançada que a nosso, mas ao mesmo tempo abre um leque de perguntas sobre nós mesmos como civilização, se nossa crença no outro por muitas vezes não ultrapassa a crença em nós mesmos, em nossa própria capacidade de selvageria e tirania.
Contudo, nem todo o texto é tão negativista assim, ele trata também de dramas pessoais como solidão, depressão, ansiedade e maternidade, utiliza dos jogos eletrônicos como viés positivo de apresentação de problemas, aproximando um leitor que reconhece neste ambiente virtual seu lugar seguro, constrói diversos mecanismos de escape para que o leitor sempre perceba que o pacto ficcional esta presente, além de ser um resgato lindo da ficção científica especulativa.
5 Tcheros para este romance, meu primeiro do ano, tomara que os outros dois desta trilogia continuem com a mesma intensidade e que a relação entre trissolarianos e terráqueos não seja catastrófica.